Indústria da música no Brasil cresce 14,1% em 2025 e se torna a 8ª maior do mundo
Impulsionado pelo streaming, o mercado fonográfico nacional faturou R$ 3,958 bilhões em 2025 e cresceu mais que o dobro da média global, segundo a Pró-Música Brasil.

O mercado fonográfico brasileiro faturou R$ 3,958 bilhões em 2025, alta de 14,1%, e subiu para a 8ª posição no ranking mundial da IFPI, puxado pelo streaming.
Um panorama de crescimento e diversidade
O mercado musical no Brasil segue em plena ascensão. Em 2025, o setor fonográfico brasileiro faturou R$ 3,958 bilhões, uma alta de 14,1% em relação ao ano anterior, de acordo com o relatório anual divulgado pela Pró-Música Brasil (PMB). O resultado aproxima o país da marca simbólica de R$ 4 bilhões em arrecadação anual e confirma uma trajetória de expansão que já se estende por vários anos consecutivos.
Esse avanço é resultado direto da transformação digital que revolucionou a forma como consumimos música. A popularização dos smartphones, a melhoria da internet móvel e a presença cada vez mais forte das plataformas de streaming democratizaram o acesso à música em diferentes camadas da população, sustentando o crescimento da indústria da música no Brasil.
Brasil sobe para a 8ª posição no ranking mundial
Com o desempenho de 2025, o Brasil avançou para a oitava posição no ranking global da Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI), destacando-se entre os maiores mercados de música do mundo. O crescimento nacional de 14,1% supera com folga a média global de 6,4% registrada no mesmo período, alinhando o país ao ritmo da América Latina, região que lidera a expansão do setor no planeta.
Para Paulo Rosa, presidente da Pró-Música Brasil, o cenário reforça tanto o potencial do mercado digital quanto a necessidade de atualização regulatória diante de tecnologias emergentes. O feito reafirma o poder criativo e comercial da música brasileira no cenário internacional, colocando artistas e produções nacionais no radar de uma audiência global cada vez mais conectada.
Streaming é o motor da indústria
O avanço está fortemente ancorado no mercado digital, que se tornou o principal motor do setor. Sozinho, o streaming respondeu por R$ 3,4 bilhões do faturamento, com crescimento de 13,2% nas receitas digitais. Plataformas como Spotify, Deezer, Apple Music, YouTube Music e Amazon Music concentram hoje a maior parte do consumo de música no país, e a base de assinantes pagantes seguiu em expansão ao longo do ano.
O acesso facilitado por esses aplicativos transformou a maneira como os artistas distribuem sua música e se conectam com o público. Novos talentos conseguem alcançar audiências massivas sem depender exclusivamente de grandes gravadoras, e o ouvinte tem à disposição uma biblioteca praticamente infinita — um avanço significativo para a indústria da música no Brasil.
O retorno do físico e a onda do vinil
Mesmo em um mercado dominado pelo digital, os segmentos tradicionais deram sinais de vitalidade. As vendas físicas cresceram 25,6% em 2025, puxadas principalmente pelo vinil, que voltou a atrair colecionadores e novos consumidores. Ainda que representem menos de 1% do faturamento total, esses formatos mostram que há espaço para a experiência material da música em plena era do streaming.
O papel das gravadoras
O desempenho também reflete o papel estratégico das gravadoras, que seguem como eixo central do ecossistema musical. As empresas ampliaram investimentos na descoberta de talentos, na produção de conteúdo e nas estratégias de distribuição, fortalecendo a conexão entre artistas e audiências em um ambiente cada vez mais digitalizado. Esse modelo, baseado em parcerias com criadores, tem sido apontado como essencial para sustentar o crescimento acima da média global observado no Brasil nos últimos anos.
Novos desafios: inteligência artificial e fraude no streaming
O crescimento acelerado do mercado digital, porém, traz novos desafios. A indústria fonográfica alerta para o uso não autorizado de obras musicais no treinamento de sistemas de inteligência artificial generativa, prática que levanta preocupações sobre direitos autorais e remuneração de artistas. A chamada “mineração” de dados, quando feita sem transparência ou consentimento, é vista como uma ameaça ao modelo de investimento que sustenta a criação musical.
Outro ponto de atenção é a fraude em plataformas de streaming, que ganhou escala com a sofisticação de ferramentas automatizadas. Esquemas que usam bots para gerar reproduções artificiais desviam receitas e distorcem a distribuição de direitos autorais. A Pró-Música Brasil afirma ter intensificado o combate a essas práticas, o que resultou no encerramento de mais de 130 sites de manipulação de streaming nos últimos anos — sendo 60 apenas em 2025 — além de uma decisão judicial que determinou o bloqueio da maior plataforma internacional dedicada à venda de engajamento artificial.
Uma cultura movida a música
Por trás dos números, está uma relação cultural profunda. A música está enraizada no cotidiano brasileiro, presente em celebrações, protestos e nas rotinas mais simples, como acordar, cozinhar ou relaxar. Estilos como sertanejo, funk, samba, rap, pagode, MPB, pop, rock e eletrônico coexistem nas playlists diárias, ao lado de sons internacionais como o K-pop, a música latina e o afrobeat.
Com o avanço das tecnologias, a crescente digitalização e o fortalecimento das cenas regionais, o futuro aponta para ainda mais diversidade, inclusão e representatividade dentro da música nacional. E, nesse ritmo, o Brasil promete continuar tocando o mundo — uma batida de cada vez.
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